Más práticas agrícolas resultam no surgimento de plantas daninhas tolerantes e resistentes a herbicidas.

  • Más práticas agrícolas resultam no surgimento de plantas daninhas tolerantes e resistentes a herbicidas. Sem rotação de culturas e herbicidas, as ervas daninhas adaptam-se a essas circunstâncias e a resistência aparece.

  • Em 53 países o "capim-massambará" (Sorghum halepense L. Pers) é considerado uma das piores plantas daninhas, devido à natureza invasiva da planta; em 1930 foi declarada praga nacional da agricultura na Argentina.


  • De acuerdo con la Empresa Brasilera de Investigación Agropecuaria (Embrapa), una planta de “rama negra” (Conyza bonariensis). por metro cuadrado puede ocasionar 20 kg en pérdidas en el cultivo de soya.
  • De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma planta de "buva" (Conyza bonariensis) por metro quadrado pode resultar em perdas na cultura da soja de 20 kg.

 

Especialistas Convidados

Luis Eduardo Lanfranconi
Engenheiro agrônomo, M.Sc, pesquisador INTA – AER Río Primero, Argentina.

Dionisio Luiz Pisa Gazziero
Engenheiro agrônomo, Doutor e pesquisador, Embrapa Soja, Brasil.


¿O que são as plantas daninhas ou ervas daninhas?


As plantas daninhas são espécies altamente adaptadas ao ambiente, crescem naturalmente nas áreas controladas pelos seres humanos, e tem um alto poder de germinação e dispersão. Estas plantas crescem de forma agressiva e impedem o desenvolvimento normal das espécies cultivadas causando danos significativos na produção devido à competição por luz e nutrientes.

Qual é a diferença entre ervas daninhas resistentes e tolerantes?


De acordo com o Comitê de Ação a Resistência aos herbicidas (HRAC), a definição de resistência é "a capacidade natural e de herdabilidade de alguns biótipos de plantas daninhas em uma dada população, para sobreviver a um tratamento de herbicida, que deveria efetivamente controlar a população em condições normais de utilização". O avanço da resistência aparece pela seleção exercida na população de plantas, devido ao uso repetido do mesmo herbicida ou herbicidas do mesmo mecanismo de ação, ou seja, por práticas agronómicas pobres.

Embora a tolerância, é a capacidade natural hereditária de uma espécie para sobreviver e se reproduzir após o tratamento com um principio ativo. Ou seja, são aquelas que não são controladas por um herbicida em particular e nunca foram controladas por esse ingrediente ativo.

Qual é o cenário das ervas daninhas resistentes?


A falta de monitoramento e o uso indevido de herbicidas revelam o fato de que algumas espécies de plantas daninhas tornaram-se um problema crescente. O uso indiscriminado de herbicidas com um mecanismo específico de ação pressiona na população de plantas daninhas; controla de forma eficaz as ervas daninhas sensíveis e exerce uma pressão de seleção sobre o grupo de plantas, o que provoca o aparecimento de ervas daninhas resistentes. Isto provoca uma menor eficiência das tecnologias de proteção das culturas, portanto, estratégias e práticas que atrasam a seleção de plantas daninhas resistentes devem ser exercidas para preservar essas tecnologias como um recurso fundamental na gestão das plantas daninhas.

O número de ervas daninhas resistentes a herbicidas continua a aumentar em todo o mundo, assim como o número de hectares espalhadas com estas espécies. A resistência muda a maneira como um herbicida é utilizado pelos produtores, no entanto, até agora não tem-se reportado a perda total do uso de um grupo específico de herbicidas.

129 espécies de plantas daninhas são resistentes aos inibidores da enzima acetolactato sintase ALS (e.g. Chlorimuron), 69 espécies são resistentes aos inibidores de fotossistema II (e.g. Atrazina), 42 aos inibidores da enzima ACCase (e.g. Setoxydin) e 30 as auxinas sintéticas (e.g. 2,4-D).

Gráfico do estado das ervas daninhas resistentes. Fonte: weedscience.org 

Qual é o impacto das ervas daninhas resistentes na Argentina e no Brasil?

Argentina


O primeiro caso de resistência na Argentina foi encontrado em 1996 em biótipos* de caruru (Amaranthus quitensis) resistente a herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS), por exemplo, imazethapyr, chlorimuron etílico e flumetsulam. Em 2005 e 2006 foi documentada a resistência ao glifosato em biótipos de capim-massambará e estudos realizados ao longo de 2007 no sudoeste da província de Buenos Aires indicam a existência de populações de azevém (Lolium spp.) resistente a esta substância ativa.

A superfície com plantas daninhas resistentes continua a aumentar a cada ano. Em 2008 foram confirmados Cynodon hirsutus (grama doce na Argentina) no centro de Córdoba, Raphanus sativus (Nabiça) no Sudeste bonaerense e recentemente Eleusine indica (capim-pé-de-galinha) no centro de Córdoba.

Note-se que na Argentina a superfície afetada por plantas daninhas resistentes até agora não e importante, mas é preocupante e seu progresso é marcado o aumento dos custos de produção desses campos afetados; a projeção deste problema é fundamental para quão pouco o produtor e os técnicos fazem a respeito.

Ainda não se têm organizado campanhas sobre o impacto das colheitadeiras na disseminação de sementes e, embora o produtor reconheça esta situação ele não reage de forma proativa e toma as medidas de prevenção adequadas. Claramente, o campo afetado perde sustentabilidade por um aumento dos custos de produção, mas com bom controle não diminuirá a produção. As plantas daninhas que mais impactam o sistema de produção são Sorghum halepensis e Amaranthus palmeri, a primeira ao nível nacional e a segunda principalmente no sul-oeste de Córdoba.

Antes dos anos 80, o mato “buva” era apenas problemático em pastagens devido a que nas áreas com cultivo intensivo e extensivo a mobilização do solo convencional usada não permitia que as plantas daninhas se desenvolvessem confortavelmente.

Atualmente, com o uso generalizado do plantio direto o avanço da buva é generalizado e afeta toda a área agrícola nacional, com maior incidência no núcleo da região das Pampas. Em 2012, as aplicações tardias devido às fortes chuvas agravaram o problema, além de que a soja foi semeada em campos onde a buva estava viva, impedindo seu efetivo controle.

As projeções para 2015 são alarmantes, estima-se que esse ano haveria entre 6 e 7 milhões de hectares com presença de capim-massambará (Sorghum halepense. L. Pers) e 12 milhões de hectares com buva (Conyza bonariensis).

De acordo com o INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária), as ervas daninhas mais difíceis por sua resistência são capim-massambará, Lolium multiflorum e L. perenne, Echinochloa colona (capim-arroz), buva, Borreria verticillata (vassourinha-de-botão, botão-branco, cordão-de-frade), sempreviva (Gomphrena pulchella, G. perennis), Chloris spp. e Trichloris spp. Eles também mencionam que os focos não vêm de outros lugares, mas se originam no local. A afirmação vem de estudos realizados por pesquisadores da UBA (Universidade de Buenos Aires) e INTA.
 

Brasil
 

De acordo com Dionísio Luiz Pisa, engenheiro agrônomo da Embrapa Soja, atualmente 90% da área cultivada com soja é resistente ao glifosato (grupo químico Glicina). Estima-se que os maiores problemas com ervas daninhas resistentes estão no sul do Brasil e é difícil dizer exatamente essas porcentagens, mas ainda não há dados para a região central do Brasil, mas sabe-se que o problema está começando na região.

Na região Sul, pode-se supor que em aproximadamente 6 milhões de hectares, o problema é grave, pois o mato buva se espalhou em áreas produtivas. 

Os biótipos resistentes ao glifosato, identificados e registados oficialmente no Brasil são: Conyza bonariensis (buva, pulicária-peluda), Conyza canadensis (buva), Conyza sumatrensis (buva, avoadinha-marfim), Lolium multiflorum (azevém), Digitaria insularis (capim-amargoso). 

Descrição das principais ervas daninhas resistentes

  • Buva erva daninha altamente resistente. 


  • Capim-massambará 


Pesquisadores da Faculdade de Agronomia da UBA (FAUBA) e o CONICET (Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica) argumentam que as condições ecológicas relacionadas com o tipo de solo e a alta temperatura favorecem o desenvolvimento da resistência do capim- massambará no norte da Argentina, porque é uma erva daninha tropical.

  • Pasto amargo

  • Raigrás 


Consequências da resistência nas plantas daninhas

  • Requer mudanças nas práticas de manejo das plantas daninhas e das culturas. 
  • Aumenta os custos de produção com o controle de plantas daninhas através do aumento na demanda de herbicidas e práticas de controle
  • Redução da viabilidade dos herbicidas.
  • Perda do potencial produtivo (baixo rendimento) e lucros mais baixos.

Que recomendações podem ser consideradas na prevenção e no controle de ervas daninhas resistentes?

  • A rotação de culturas permite a utilização de um número maior de herbicidas com diferentes modos de ação. Aplicar em momentos diferentes, por exemplo, pré-emergente e pós-emergente e melhorar a densidade de semeadura.
  • Aplicar as doses recomendadas de acordo com os rótulos dos herbicidas.
  • Manter as ervas daninhas controladas durante todo o período de crescimento da cultura, evitando a frutificação e que se espalhem com sucesso.
  • Remover plantas resistentes que ficaram sem controlar no campo; devem ser impedidas de completar seu ciclo.
  • Considerar o controle preventivo, realizar a limpeza de equipamentos e materiais como colheitadeiras antes de sair das áreas, em seguida, queimar ou destruir os restos da limpeza para evitar a propagação.
  • Use semente limpa certificada.
  • Use alternativas a uma única forma de aplicar o produto para um controle mais efetivo.
  • Controle mecânico pós-emergência das plantas semeadas. 

* Grupo de plantas dentro de uma espécie com características biológicas que não são comuns a outros indivíduos na população

Fontes consultadas:

  • Alerta por el fuerte avance de las malezas. Periódico “La Nación”, Argentina. 22 de diciembre del 2012.
  • Carlos Ramos Venâncio. 2012. Resistencia de plantas daninhas a herbicidas no Brasil e no mundo. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
  • Leguizamón, Eduardo. 2011. Manejo de malezas problema. Rama negra: Conyza bonariensis (L. Cronquist). Bases para su manejo y control en sistemas de producción. Red de conocimiento en malezas resistentes REM. Argentina.
  • En: http://www.rem.org.ar/images/pdf/LibroREM-RamaNegra.pdf .