Tripes em Soja ou Caliothrips Phaseo

O pequeno grande devorador da Soja 

Segundo o Instituto de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina, os altos períodos de seca em diferentes zonas deste país, tem permitido a propagação massiva dos tripes nas plantações de Soja na região.

Na última década os tripes da soja têm-se tornado uma das pragas de maior cuidado para os produtores desta leguminosa.

Os tripes incrementam sua população em pouquíssimos dias, portanto é indispensável um rápido tratamento e uma constante observação às plantações para evitar a sua propagação.

As larvas completam seu ciclo a fase adulta no solo e a reaparição da praga é muito rápida já que os adultos emergem de 5 a 7 dias.

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Fontes:  

  • Daniel garzábal, Gerente Técnico de Halcón – Monitoreo de Plagas. Argentina.
  • Ing. Agr. Juan Manuel Pautasso, AER INTA, tomado del artículo publicado por Ergomix.com. Argentina.


O Quê são Tripes da soja ou  Caliothrips Phaseoli?

Os tripes são insetos muito pequenos de 1 a 1,5 mm de comprimento, quando estão na etapa adulta, de cor escura e possuem um aparelho bucal raspador com o qual perfuram e desgarram os tecidos vegetais, isto lhes permite absorver os sucos celulares com os quais se alimentam.

Em etapas juvenis, as larvas ou ninfas, são menores, de cor amarela e permanecem predominantemente no dorso das folhas.

Quando existe presença de tripes, aparecem pequenas manchas esbranquiçadas (células vazias) nas folhas da planta que logo tomam uma cor amarelada, marrom e até mesmo avermelhada. Por esta razão as plantações muito afetadas apresentam folhas prateadas ou cinzentas e logo tomam uma cor bronzeada. Como consequência destas lesões há um aumento na perda de água e em época de seca murcham-se as plantações com maior rapidez; além disso, essa é uma possível via de ingresso de agentes causais de doenças.

 

Quais são os sintomas que se apresentam nas plantações infestadas?

Os tripes da Soja podem causar dano direto e indireto:

Dano direto, pela raspagem de tecidos do inseto adulto, se incrementa a perda de água das plantas e em condições de seca do solo se desidratam e murcham mais. Com grandes quantidades de tripes por folha (40-50), estas envelhecem prematuramente e podem cair da planta.

Contudo, o verdadeiro dano que influi sobre o rendimento do cultivo é provocado pelas ninfas. Estas, ao permanecer três semanas ou mais, alimentando-se na parte inferior da folha, destroem a capa de cera que a planta produz para proteger-se da desidratação, o que aumenta o índice de transpiração e a perda de água dentro do tecido vegetal.

Produz-se também um transtorno na abertura estomática de modo que o dano é ainda maior. A consequência é o envelhecimento prematuro das folhas e sua queda antecipada.

Dano pelas feridas causadas, “as feridas causadas nas folhas podem ser uma via de entrada de agentes causadores de doenças (fungos, vírus, bactérias)”.*

*Ing. Agr. Rubén A Massaro. EEA INTA Oliveros. http://www.a-campo.com.ar/espanol/soja/soja1.htm

Quais fatores biológicos, físicos e ambientais facilitam a propagação da praga?

O estresse hídrico provocado pela seca permite o aumento rápido das populações ao favorecer o desenvolvimento dos tripes em estado de pseudopupa no solo. Ao completar satisfatoriamente esta fase, surgem os insetos adultos que logo se dispersam por toda a plantação.

O vento é o principal fator de dispersão de adultos. Por si mesmos têm uma escassa capacidade de vôo, mas o arraste pelo vento os transporta a distâncias consideráveis dentro do lote de origem e até outros campos.  

Os tripes se detectam primeiro em áreas de solos com menor fertilidade ou solos onde as plantas sofrem mais de estresse hídrico. As bordas dos lotes, com solos mais compactados e degradados pela passagem de maquinário, são os primeiros em ser afetados por esta praga. Também ocorrem infestações nas zonas internas em manchas de baixa fertilidade ou escassa retenção de água.

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Larva o ninfa de Caliothrips Phaseoli. Fotografía AndrewDerksen, Bugwood.org.

Quais medidas preventivas podem-se tomar para evitar esta praga?

Enquanto as rotações com plantas gramíneas fazem com que se reduza a infestação local, os adultos arrastados pelo vento colonizarão de qualquer maneira a plantação independentemente de seu antecessor.

É necessário fazer um rápido e completo tratamento à plantação; posteriormente deve-se fazer uma constante observação para evitar novos focos de propagação.

 

Quais mecanismos de controle se deve tomar para controlar a aparição da praga e/ou erradicá-la da plantação?  (Controle Cultural, Mecânico e Químico)

O controle químico é o método mais eficiente. As inovações em produtos que atuam por penetração na lâmina da folha, oferecem tecnologias que conseguem “translaminar” ao lado oposto, onde estão as ninfas que causam os maiores danos.

 

Quais inovações e tecnologias têm sido desenvolvidas pela indústria para proteger as plantações desta praga?

Está-se investigando na Indústria de Proteção de Plantações sobre o efeito de certos inseticidas fisiológicos que poderiam reduzir as futuras infestações de tripes de soja depois de sua aplicação,  já que estes insetos podem produzir várias gerações em um mesmo ano. Já têm sido feitas várias observações com tratamentos que combinam inseticidas de penetração (para controlar a população atual em uma alta porcentagem) com alguns componentes fisiológicos.

As aplicações terrestres de baixo volume (20 a 25 litros por hectare) estão demonstrando muito boa efetividade, maior à de volumes convencionais (60 a 80 litros) e às de alto volume (100 litros ou mais). Isto se deve possivelmente à maior concentração de cada gota que chega às zonas infestadas e à maior penetração das gotas pelo seu tamanho.


Em geral, de quanto têm sido as perdas por Tripes em Soja na América Latina ou na Argentina durante 2011/2012?

Não existem estimações concretas do dano pela praga em particular na Argentina. Algumas medições de pesquisadores da Argentina como Gamundi e colaboradores em INTA Oliveros e de Peralta e Igarzábal em Córdoba, mostram reduções de rendimento por ação exclusiva de tripes em soja de até 800 e 1000 Kg por hectare.

Considerando que a área afetada é de mais de 15.000.000 de hectares, a influência sobre a safra total seria de real importância. E considerando que o rendimento em média na Argentina é de uns 2600 Kg/Ha, segundo essas medições, os tripes poderiam reduzir a sua produção entre 31 a 38%.

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Insecto adulto Caliothrips Phaseoli Fotografía de Charles,  Ray Auburn University.