Os consumidores devem superar o medo da ciência e da tecnologia aplicadas na agricultura

Um apelo aos consumidores para que confiem nos controles, estudos, legislação, ciência e nas práticas agrícolas que possibilitam levar comida suficiente e de qualidade às mesas, foi uma reiterada menção dos palestrantes do Fórum Internacional - Inovação para a Sustentabilidade da Agricultura, realizado em Brasília no dia 27 de junho último.

Foro Innovación

José Perdomo, Presidente da CropLife Latin America; Caio A. Carbonari professor of UNESP e Elizabeth Nascimento, toxicologist, palestrantes do Fórum Internacional - Inovação para a Sustentabilidade da Agricultura

Superar a resistência que existe em torno da tecnologia que é usada na agricultura e comunicar aos consumidores os benefícios que isso traz para o fornecimento de alimentos e a diminuição da pegada ambiental da agricultura, foram duas das principais conclusões do Fórum Internacional realizado por CropLife Latin America e a Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF.

O evento gerou um diálogo sobre o papel das agrotecnologias na segurança alimentar, a necessidade de legislação que permita o acesso a defensivos agrícolas de ponta e sobre a ciência por trás dos sistemas de avaliação, monitoramento e controle dos pesticidas utilizados nas culturas. Representantes dos setores acadêmicos, político, imprensa e indústria ofereceram suas perspectivas para 170 participantes e 5.400 pessoas conectadas on-line.

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Aqui estão algumas das reflexões levantadas:

Conferência: Brasil, informando corretamente sobre o uso e os riscos dos defensivos agrícolas, Júlio Caio Carbonari, Professor da Universidade Estadual Paulista, UNESP / Botucatu

  • O Brasil não produz apenas mais culturas por hectare, mas também faz melhor uso da área; apenas 8% do seu território é destinado a culturas. Nós temos uma agricultura que é um modelo de sustentabilidade.
  • O Brasil faz um uso absolutamente racional dos defensivos agrícolas.
  • Em 2013 e 2017, o uso de defensivos agrícolas foi reduzido em 12,5%. Não é verdade que o consumo aumenta ano após ano. 
  • De acordo com o uso de defensivos por unidade de área, o Brasil ocupa a sétima posição; por tonelada produzida, ele ocupa a nona posição em todo o mundo.
  • A atual legislação para os defensivos agrícolas no Brasil é de 1989; antecede a biotecnologia, a nanotecnologia, a agricultura digital e a revolução científica que vivenciamos nos últimos 30 anos. Não incorpora a avaliação de risco adotada por vários países. É necessário modernizá-la.
  • No Brasil existem 32 ingredientes ativos aguardando para serem aprovados pelas autoridades, estes produtos já estão nos mercados dos Estados Unidos, Canadá, Japão, UE, Áustria e Argentina.

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Conferência: Segurança Alimentar e o Uso de Pesticidas, Elizabeth Nascimento, professora toxicologista da Faculdade de Ciências Farmacêuticas Universidade de São Paulo 

  • Nos últimos 20 anos, temos observado um aumento considerável em programas que permitem avaliar alimentos, o que deve aumentar a confiança da sociedade. A academia, as agências internacionais, a indústrias e os supermercados têm suas maneiras de avaliar resíduos químicos. 
  • As substâncias com maior toxicidade são bem estudadas pela academia, cientistas, pesquisadores e as agências reguladoras, e existem índices ou parâmetros para estabelecer a segurança de um produto.
  • A avaliação de risco é feita cientificamente, a gestão de risco é adequada; nosso maior problema é a comunicação de risco. Há uma dificuldade para a sociedade entender que temos comida melhor do que há 30 anos, temos dados que o mostram.

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Conferência: O Papel das Agrotecnologias na Segurança Alimentar, José Perdomo, Presidente da CropLife Latin America

  • A indústria agroquímica investe anualmente US$7,3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias. Proporcionando assim uma caixa de ferramentas para o agricultor para que ele possa proteger suas colheitas de forma eficiente e sustentável.
  • Todos os avanços tecnológicos se traduzem em maior produtividade, eficácia, menor toxicidade e menor dose. 
  • O uso correto de pesticidas é uma responsabilidade compartilhada com o governo, a indústria, os distribuidores, os agricultores, a sociedade civil e os consumidores. 
  • Desde a época de Galileu, há 350 anos, a sociedade mostrou medo e resistência aos avanços científicos; para superar esses medos, é necessário melhorar a comunicação entre o campo e a cidade; as audiências urbanas precisam entender por que mais ciência, mais tecnologia e mais inovação na agricultura são necessárias.

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